25/11/2009


FOTO: Google







A manjada frase “Espelho, espelho meu, diga-me existe alguém mais bela do que eu?!” já era sem efeito diante da indústria da cosmética. Hoje em dia, menos ainda com a crescente procura pelos procedimentos cirúrgicos. Recursos como esses ditam o conceito do belo, do caro, do sofisticado quando se está a largas distâncias do que seja saudável.

Pensando cada vez mais no desejo quase que obsessivo de se tornar linda aos olhos de quem as vê, mulheres apelam pelas “armas” disponíveis nos pontos de vendas para conquistar um emprego, um marido ou mesmo um amigo. Sim, há pessoas (de todos os sexos) que vestem marcas e rótulos a mais e porque não dizer demais para estarem inclusos em tribos.

O estar de bem com o reflexo é colocado lado a lado às influências midiáticas. Não é novidade que a televisão seja a ré das crianças indefesas e das mulheres siliconadas e dos metrossexuais que se escondem na sua real identidade. Por que não culpam o Governo? (Pulemos essa parte!). Mas, de todo modo a contemplação do belo se esbarra na fila de invejosos e críticas ao bel-prazer dos incomodados.

Quando a atriz Carolina Dieckmann cortou a cabeleira para interpretar a enferma em Laços de Família, vimos a beleza trocar de papel com a preocupação social quando se tematizava no folhetim o câncer e a difícil aceitação do “eu” com sua nova imagem.

Na publicidade, também se percebe a negação da beleza. No caso Havaianas: o diálogo entre vovó e netinha, a campanha da Haiavanas Fit tinha como foco correlacionar o moderno e usual com o antiquado e careta. O uso das novas havaianas fora comparado ao atual jeito de lidar com as normas de vivência: fazer sexo a qualquer idade, estado civil ou renda. Pelo visto, o modernismo da vovó não agradou a crítica que censurou o que hoje em dia é exposto como normal seja em novela, na música ou em qualquer outro veículo de comunicação. Absurdos à parte!

O meio universitário não ficou fora da lista de uma beleza proibida e desrespeitada. No caso Geisy e a sua mini-saia colocaram a perplexidade diante de tantas outras problemáticas presentes na sujeira dos bastidores políticos e nos corredores das repartições públicas.

Mas, foram os centímetros a menos de pano que ocasionaram um holofote inexplicável e desnecessário. Era como se a minha colega de trabalho nunca soubesse o que seja um decote. Era como se o mundo inteiro mostrasse aos filhos nossos de cada dia que dançar o créu “pode”, mas usar mini-saia só se o seu corpo se assemelhasse com as top models. Ironias sem sentido que nos assolam. Enquanto se vêem as máquinas das mini-saias a todo vapor, o que é admirável é ainda alvo de nariz torcido nos dias de hoje.

12/11/2009




FOTO: Ana Patrícia Almeida





E quando seca a minha garganta
E o meu peito a dor aperta
Minhas loucuras não me perdooam
Meus erros não mais me entristecem.
Chego a fincar meus pés no chão
Mas, a minha dor só transcede
São as verdades que eu ocultava
São as suas inverdades que eu calava.
Dentre o meu oito e o seu oitenta
Há um vazio de contradições
Recheado com discórdias
Dentre suas coisas e minhas decepções.
Mas, cada vez é difícil cessar
A dor da (sua) ausência pedida com esmero
Por todas as vezes que eu não quis recuar
Por todas as vezes que não me pus a chorar.
Se você não está do lado esquerdo
Do meu peito, da minha cama, dos meus planos
Talvez seja culpa do tempo ou dos jogos de cartas
Talvez o seu vício seja não me levar como prioridade.
Não hesite em disfarçar
O que não está tudo bem
Entre nós, ínfimas lembranças
Entre nós, o amor se abstém.

24/10/2009



Me reviverei até me encostar
No seu corpo, até me esquentar
Sentir suas verdades e proteger os seus sonhos
(Te quero perto)
Aceitar suas voltas e nóias
O sussurar da sua voz dentro de mim
Mesmo distante, ouço minúcias em mim
Onde a saudade não tem vez nem desfez
O sentimento que nasceu de um talvez
Você procura o jeito certo de falar
As suas palavras comedidas e finas
Mas, eu arranco cada letra e a transformo em sensações
Sem pedir licença, eu invado seu tempo
Cuido do seu humor
Compartilho meu cheiro
Arrumamos nossos temperos
Guardamos nossos anseios
Corremos para o meio
Da rua...
Esperamos o sol
E depois...
Você se revira para encostar
O seu corpo junto ao meu, até eu acordar
E os nossos olhos se desejarem
As linhas que o tempo se encarregou de nos envolver
Enquanto eles permanecem fechados,
Eu penso
(Cá com meus botões)
Que estar junto, sultilmente, seja mais que abraços!